Pesquisa sobre hábitos de informação dos Deputados Federais

O Instituto FBS Pesquisa lançou os resultados da sua pesquisa em Política e Mídia de 2010. Achei interessante a iniciativa que mede não apenas quais os meios mais utilizados pelos políticos para se comunicar com o cidadão, mas também como ele se informam sobre as notícias. Os resultados mostram o progressivo crescimento da internet como meio de informação e comunicação, acompanhado da leve diminuição nas mídias tradicionais. Mas não devemos nos enganar, televisão, jornais, revista e rádios ainda contam em muito na formação das opiniões políticas.

A pesquisa foi feita com 50% dos deputados federais e tem uma margem de erro de 4,4%. A íntegra dos resultados pode ser vista aqui.

Observatório da Web

Outra iniciativa muito interessante é o Observatório da Web, criado pelo Departamento de Ciência da Computação da UFMG. O observatório monitora vários temas, mas falaremos aqui especificamente do trabalho relacionado às Eleições 2010. O site nos permite ver gráficos de visibilidade de personalidades da política (sobretudo aquelas ligadas à eleição para Presidência da República) em intervalos de tempo que variam das últimas 12h até os últimos 3 meses. Além disso, é possível fazer comparações entre candidatos e observar sua visibilidade comparada a seus adversários. Clicando em um dos pontos do gráfico, é possível ainda ver todas as notícias que foram ali contabilizadas para gerar aquele montante de visibilidade. É uma interessantíssima ferramenta de monitoramento.

Valores Políticos

Na semana passada tomei conhecimento da existência da BOVAP – Bolsa de Valores Políticos. Trata-se de uma criação da Corretora Souza Barros que simula negociações de políticos em bolsas de valores. Você começa o jogo com um valor inicial, investe em alguns políticos e, de acordo com o desempenho deles no mercado de ações, você ganha ou perde dinheiro. Apesar de parecer bobo, o jogo pode ser interessante se analisarmos, por exemplo, quais os motivos que fazem com que as ações de certo político subam ou caiam. Isso nos permite ver quais fatos políticos podem ter mais impactos positivos ou negativos na imagem de cada um.

Além do mais, é divertido! Experimentem aqui.

Aulas sobre política

Há umas duas semanas fui apresentada ao academicearth.org. O site reúne diversas aulas ministradas em universidades americanas. Uma das áreas contempladas pelo site é Ciência Política e dentro dela encontrei dois cursos interessantes. O primeiro chama-se “Introduction to Political Philosophy” e foi ministrada na universidade de Yale. O curso compõe-se de 24 aulas que pretendem dar uma iniciação à filosofia política. Já na primeira aula o professor levanta questões interessantes sobre o tema, como o fato de a maioria dos autores utilizados na área terem escrito suas obras há centenas de anos. O segundo curso que me chamou atenção foi o de “Politics, strategy and game theory“, composto de 19 aulas, mas ministrado na UCLA. Essas aulas pretendem habilitar os estudantes a traçar e compreender estratégias políticas.

Todas as aulas podem ser vistas online ou baixadas em formato de vídeo ou áudio.

Watch it on Academic Earth

De onde vem o poder?

Ouvi hoje a notícia de que os advogados de Arruda teriam garantido que, se solto, ele não voltaria ao caso. Isso foi visto como uma estratégia para garantir que Arruda não continuará obstruindo a justiça na investigação do escândalo de corrupção no Distrito Federal.

Ao saber dessa notícia, em um jornal televisivo esta manhã, um coisa me deixou perplexa. Trata-se dessa visão estreita de que é preciso ocupar um cargo político formal para ter influência e poder, tornando-se capaz de obstruir uma investigação. Há muito Foucault, com sua microfísica do poder, já mostrou que a polítca – e o poder nela envolvido – se desenvolvem não apenas no aparato político institucional. E, no caso da figura em questão, um político de destaque, recém deposto do cargo de governador, está claro que suas ligações e poder de influência, mesmo sem cargo, seriam suficientes para prejudicar o trabalho da justiça. Não se trata de uma questão de estar ou não no cargo, mas de querer ou não atrapalhar.

Metodologia de análise de blogs políticos

Pesquisando bibliografia para meu TCC, encontrei uma metodologia desenvolvida por pesquisadores do NEAMP – Núcleo de Estudos em Artes, Mídia e Política, na Pontifícia Universidade Católica (PUC) de São Paulo que se propõe a analisar blogs políticos. O trabalho é bastante interessante e pode levar a resultados relevantes se bem utilizada. Além disso, foi um dos poucos materiais metodológicos que encontrei para análise desse tipo de blogs. Como meu trabalho é sobre o blog Fatos e Dados, tive que fazer adaptações, mas sem dúvida esse trabalho serviu como base.

A metodologia do NEAMP subdivide-se em cinco partes. A primeira trata do histórico e descrição do blog, a segunda da classificação do tipo de blog e de blogueiro em análise e a terceira etapa avalia a estrutura do veículo. Já o quarto passo da aplicação da metodologia se dedica à análise de conteúdo e o quinto versa sobre a interatividade do blog.

O trabalho foi publicado na Revista de Sociologia e Política n.34 e pode ser encontrado aqui.

+ Veja outros artigos dos mesmos autores da metodologia aqui e aqui

Categorizando informações

isso merece um tweet

Uma das questões essenciais em assessoria política é conseguir categorizar a informação. Na verdade, acho que em assessoria de uma forma geral é preciso ter muito cuidado para não supervalorizar as notícias do assessorado. A rotina de trabalho e a proximidade com o tema e a organização às vezes nos fazem achar que coisas corriqueiras são na verdade grandes eventos.

No mundo offline essa categorização se resumia a “será que está informação merece ser noticiada?” e “na editoria de cidades ou de política?”. Já era um trabalho que exigia muito do assessor, mas com as possibilidades online isso se complica ainda mais. Agora precisamos não apenas categorizar a informação dentro de um mesmo ambiente – num blog, por exemplo, através do tamanho do texto, colocação ou não de imagem – mas entre diversos ambientes, com dinâmicas de funcionamento e públicos diferenciados.

Será que essa informação merece um tweet ou um post? Ou ainda: um tweet com link para um post? E no newsletter, será que essa notícia entra?

Essas são questões importantíssimas para valorizar a informação e fazer com que a comunicação seja eficiente. Aqui não vale a lógica de atirar para todos os lados. Colocar em um twitter tudo que está em um blog, repetir tudo no orkut e depois enviar newsletter com as mesmas informações acaba por ser repetitivo. É preciso fazer que esses diferentes espaços se comuniquem e se complementem, mas sem se sobrepor.

Para lidar com tudo isso é preciso conhecer muito bem o público para quem se fala em cada ambiente e ser capaz de adequar não apenas sua abordagem dos temas, mas também sua linguagem a eles. Além de ter todas essas capacidades, o que já é bastante complicado, sejamos realistas: é preciso ter tempo. O tempo que se gasta para adequar a informação a cada meio é quase o mesmo que se gasta com o texto inicial. Falta saber se os assessorados estão dispostos a investir para tornar isso possível.

Câmara, Feira e Circo

Essa semana tive a oportunidade de assistir pela primeira vez a uma sessão ordinária da Câmara de Vereadores de Salvador. Não se tratava de um sessão qualquer, mas sim da votação de um projeto de alteração no código tributário do município, proposta do exeutivo. A questão já vinha gerando polêmica pela urgência que a prefeitura impôs à votação e a impossibilidade de os vereadores avaliarem cuidadosamente o projeto.

Ao chegar ao plenário me deparei com uma verdadeira feira. Pessoas conversando alto, outras ao celular, vereadores andando para todos os lados e alguém discursando na plenária sem ser ouvido. Primeiro achei que se tratava de algo circunstancial, mas logo percebi que não.

Além de não dar a mínima importância para o que os colegas falam, os vereadores ainda interrompem as falas a todo momento com ‘questões de ordem’ e ‘comunicações inadiáveis’ absolutamente absurdas. As questões de ordem, que deveriam servir para se questionar o regulamento da casa, são usadas para emissão de opiniões enquanto as comunicações inadiáveis, cujo nome é auto-explicativo, servem para comunicar aniversários e coisas afins. O barulho é tão grande na plenária que a pessoa que discursa tem que gritar para tentar ser ouvida. E não há vereador que seja excessão a isso.

Não estou dizendo que a postura de todos os vereadores em relação ao projeto em votação foi a mesma, de forma alguma, mas em relação ao funcionamento geral da Câmara, ninguém me pareceu incomodado. Sobre a votação, aconteceram mais alguns absurdos. Além do já citado prazo exíguo para votação de um projeto dessa importância, o presdente da casa queria votar o projeto sem que os vereadores de oposição soubessem o parecer sobre as emendas apresentadas. Isso sem falar nos tempos de debate inutilizados: “Está aberta a discussão…[1/2 seg]… Está encerrada o discussão”, pressa do presidente e morosidade dos membros da casa.

Para premiar a tarde ainda foi possível ouvir vereadores pedindo que a sessão acabasse logo para que pudessem ir ao Barradão ver o jogo do Vitória. Nesse contexo é impossível não se sentir num circo. Nós eleitores fazemos o papel de quem vota fingindo acreditar em alguém e eles fingem, muito mal diga-se de passagem, que fazem algo pela cidade.

É bom deixar claro que não fui à Câmara pensando que seria uma casa perfeita, onde as pessoas debatem, se entendem e se preocupam com o futuro da cidade. Essa ilusão eu já perdi faz um pouco mais de tempo, mas ainda assim consegui me surpreender (negativamente) com o lugar onde, pelo menos oficialmente, o futuro da nossa cidade é decidido.

Debates políticos e internet

Desde o início das discussões sobre as mudanças nas regras de campanha política, pouco se falou da falta de familiaridade dos políticos com as próprias interfaces da campanha online. Essa falta de conhecimento da dinâmica da internet ficou muito clara com a proposta de que os debates na internet deveriam seguir as regras estabelecidas para televisão e rádio. Mais do que argumentar que a internet não é uma concessão pública e deve se constituir como espaço de liberdade, é preciso pensar: é possível realizar um debate na internet com as regras da televisão?

Convidar 2/3 dos candidatos, garantir tempos iguais e direitos de resposta, todas essas regras baseiam-se num modelo de comunicação mediada por corporações. Na televisão e rádio,, pelas emissoras, na internet, possivelmente, pelos grandes portais, mas quanto da internet representam os grandes portais hoje?

Digo grandes portais porque acredito que apenas eles teriam estrutura e verba para ter um estúdio, convidar candidatos, contratar mediadores e transmitir tudo isso online em tempo real. É preciso perceber que existem espaços de internet hoje muito mais propícios ao debate onde não há mediadores. Tratam-se das redes sociais. Nelas não há como convidar as pessoas porque elas já estão lá, não é preciso garantir o direito de resposta porque ele é naturalmente assegurado.

Se dois candidatos trocam tweets há um debate? E se discordam na resposta a um mesmo tópico de uma comunidade do Orkut? É necessário repensar e ampliar o próprio conceito de debate político para além do modelo da televisão e compreender as peculiaridades e potencialidades desses espaços antes que se queira agir sobre eles.