Bélgica de cabo a rabo

Como foi minha experiência de um mês no país e um pouquinho de cada cidade visitada

Apesar de ser um país bem pequenininho, a Bélgica é cheia de história, divisões internas e, claro, muitos lugares a conhecer. Tive a oportunidade de passar 1 mês no país e entender um pouco melhor as características desse cantinho da Europa.

Pra começar, é importante saber que o país é dividido em duas regiões. Ao norte está a região de Flandres, onde a língua oficial é o flamenco e ao sul está a Walonie, cuja língua oficial é o francês. Bruxelas, a capital, é um território independente e, portanto, não faz parte de nenhuma das duas regiões. Essa divisão interna é bastante importante e presente no cotidiano das pessoas. Quem faz seus estudos na Walonie, por exemplo, tende a não procurar trabalho na região flamenca e vice-versa, ainda que o inglês seja uma língua muito falada em todo país.

A maior parte das cidades mais conhecidas pelos turistas está na região de Flandres. Ali estão por exemplo Bruges e Gand. Já na Walonie estão as menos conhecidas Liège e Namur.

Durante minha estadia, passei um final de semana muito agradável em Bruxelas (leia o relato completo aqui) e depois fiquei hospedada na região da Walonie, mas bem pertinho da fronteira com Flandres, em uma pequena cidade chamada Genval.

Genval é uma cidadezinha da comuna de Rixensart. Ela é conhecida pelo seu lago e por um castelo que fica na sua margem, hoje ocupado por um hotel. A cidade é bem gracinha, mas não tem absolutamente nada demais. O único motivo para me hospedar ali foi a proximidade com Louvain-la-Neuve, onde fica a universidade em que eu estava.

Louvain-la-Neuve, por sua vez, é uma cidade curiosa, parece um cenário cinematográfico de ruas arrumadinhas, prédios iguais e calçamento perfeito. A cidade gira toda em torno da reconhecida universidade, então o clima estudantil reina. Mas de fato, se você não tiver nenhuma atividade acadêmica a cidade não tem lá grandes atrativos. O museu Hergé (o criador da história em quadrinhos Tintin) está instalado ali, mas infelizmente não tive a chance de visitá-lo.

A cidade fica a pouco menos de uma hora de Bruxelas e para quase todas as viagens é preciso ir até a capital para fazer conexões. Foi assim que eu fiz quando fui a Bruges, que fica bem no norte do país. Descobri que nos finais de semana a SNCB (companha de trem Belga) disponibiliza um bilhete chamado de “week-end” que simplesmente dá 50% de desconto nas passagens e é válido durante todo o final de semana (ou seja, pode ir no sábado e voltar no domingo).

Paguei 18 euros na bilhete de ida e volta de Genval a Bruges e a viagem durou duas horas e meia (se tem interesse em fazer viagens de trem dentro da Bélgica, consulte o site ou o aplicativo da SNCB, eles são super funcionais). Cheguei a Bruges em um trem lotado. Realmente a cidade é muito turística.

Uma vez que você consegue fugir do fluxo da multidão, é possível aproveitar um pouco mais toda a beleza da cidade. Existem muitas belezas evidentes: a praça central, a arquitetura típica do centro histórico e os canais e suas inúmeras pontes, uma mais fotogênica que a outra. Mas com um olhar um pouco mais apurado, é possível ver belezas um pouco mais sutis. A cidade chamou minha atenção por exemplo pelas inúmeras portas coloridas e lindas nas casas. As placas de identificação de diversos comércios também são muito delicadas, basta olhar pra cima pra encontrar várias. Enfim, é uma cidade rica em detalhes, com certeza você vai encontrar algum que te agrade.

O problema da grande quantidade de turistas, além da multidão em si, são os preços. Restaurantes são caros, hotéis mais ainda. Se você puder gastar bastante dinheiro, com certeza vai encontrar lugares incríveis, mas se quiser economizar é bom tentar inventar algumas alternativas pra fugir disso. Por isso mesmo, eu acho que Bruges é uma cidade para ser visitada em um dia só. Claro, sempre vão ficar coisas por conhecer, mas eu acho que com um dia é possível ter uma boa ideia do que a cidade tem a oferecer e ainda fugir de uma hospedagem cara.

Bom, além de andar e se perder pelas lindas ruas das cidades, existem vários museus e passeios que podem ser feitos. O mais famoso é o passeio de barco pelos canais. 135% dos posts de blogs que eu li sobre a cidade falam que esse é um passeio imperdível. Eu visitei a cidade em fevereiro, em um dia de sol mas muito frio e não achei que fazia sentido nenhum fazer um passeio num barco aberto, nos canais semi-congelados e com vento gelado na cara. Talvez na primavera e no verão valha a pena, mas sinceramente eu adorei ficar simplesmente andado ao redor dos canais, atravessando suas pontes e descobrindo lugares especiais pra apreciar a paisagem.

Passando para a região sul do país, graças às preciosas dicas de um belga que encontrei quase no final da viagem (obrigada, Rémy!), pude explorar um pouquinho os cantinhos da Walonie. Fiz uma viagem de um dia a Namur e Dinant. A primeira é uma cidade maior e importante, mas não me encantou. Sim, suas ruas são bastante lidinhas, há um rio que passa por ela e uma citadela que fica em cima de uma enorme pedra, mas sinceramente não foi um lugar que me marcou. Já a pequenina Dinant, que fica a meia hora de trem de Namur, é uma jóia preciosa. A paisagem é simplesmente maravilhosa e além disso ela tem duas grandes marcas: ela é a cidade de Adolphe Sax (o criador do saxofone) e também foi lá que a cerveja Leffe foi criada (na Abadia de Nossa Senhora de Leffe – sim, isso existe!). Pra mim, valeu demais ter conhecido esse cantinho encantador da Bélgica.

Por último, não posso deixar de falar de uma cidade que, na verdade, está na Alemanha, mas a apenas 5km da fronteira belga. Eu sinceramente nunca tinha ouvido falar de Aix-la-Chapelle (o que aparemente mostra uma séria falha na minha formação), mas ela foi simplesmente a capital do império de Carlos Magno. Isso deixou marcas profundas na cidade e muitas coisas a serem visitadas. A cidade é simplesmente linda, nitidamente muito rica e com marcas culturais que estão, como a própria cidade, entre a Bélgica e a Alemanha. O que mais me impressionou ali foi a catedral, por isso vou me concentrar nela. De fora já era possível perceber que a construção era monumental, mas é no interior que toda sua complexidade se revela. Ela mistura elementos góticos (como os vitrais, que vemos nas mais famosas catedrais francesas) com uma forte influência árabe, como os mosaicos. Esses dois elementos juntos fazem dessa igreja algo simplesmente fantástico que eu nunca tinha visto.

Bom, um mês que parecia tanto acabou sendo pouco e fui embora da Bélgica com uma listinha enorme de lugares a visitar. Mas certamente foi uma delícia explorar um pouco mais esse país, conhecer suas especificidades e, afinal, nada melhor do que ir embora com gostinho de quero mais, não é?

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