Archive for October, 2009

  • Categorizando informações

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    isso merece um tweet

    Uma das questões essenciais em assessoria política é conseguir categorizar a informação. Na verdade, acho que em assessoria de uma forma geral é preciso ter muito cuidado para não supervalorizar as notícias do assessorado. A rotina de trabalho e a proximidade com o tema e a organização às vezes nos fazem achar que coisas corriqueiras são na verdade grandes eventos.

    No mundo offline essa categorização se resumia a “será que está informação merece ser noticiada?” e “na editoria de cidades ou de política?”. Já era um trabalho que exigia muito do assessor, mas com as possibilidades online isso se complica ainda mais. Agora precisamos não apenas categorizar a informação dentro de um mesmo ambiente – num blog, por exemplo, através do tamanho do texto, colocação ou não de imagem – mas entre diversos ambientes, com dinâmicas de funcionamento e públicos diferenciados.

    Será que essa informação merece um tweet ou um post? Ou ainda: um tweet com link para um post? E no newsletter, será que essa notícia entra?

    Essas são questões importantíssimas para valorizar a informação e fazer com que a comunicação seja eficiente. Aqui não vale a lógica de atirar para todos os lados. Colocar em um twitter tudo que está em um blog, repetir tudo no orkut e depois enviar newsletter com as mesmas informações acaba por ser repetitivo. É preciso fazer que esses diferentes espaços se comuniquem e se complementem, mas sem se sobrepor.

    Para lidar com tudo isso é preciso conhecer muito bem o público para quem se fala em cada ambiente e ser capaz de adequar não apenas sua abordagem dos temas, mas também sua linguagem a eles. Além de ter todas essas capacidades, o que já é bastante complicado, sejamos realistas: é preciso ter tempo. O tempo que se gasta para adequar a informação a cada meio é quase o mesmo que se gasta com o texto inicial. Falta saber se os assessorados estão dispostos a investir para tornar isso possível.

  • Câmara, Feira e Circo

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    Essa semana tive a oportunidade de assistir pela primeira vez a uma sessão ordinária da Câmara de Vereadores de Salvador. Não se tratava de um sessão qualquer, mas sim da votação de um projeto de alteração no código tributário do município, proposta do exeutivo. A questão já vinha gerando polêmica pela urgência que a prefeitura impôs à votação e a impossibilidade de os vereadores avaliarem cuidadosamente o projeto.

    Ao chegar ao plenário me deparei com uma verdadeira feira. Pessoas conversando alto, outras ao celular, vereadores andando para todos os lados e alguém discursando na plenária sem ser ouvido. Primeiro achei que se tratava de algo circunstancial, mas logo percebi que não.

    Além de não dar a mínima importância para o que os colegas falam, os vereadores ainda interrompem as falas a todo momento com ‘questões de ordem’ e ‘comunicações inadiáveis’ absolutamente absurdas. As questões de ordem, que deveriam servir para se questionar o regulamento da casa, são usadas para emissão de opiniões enquanto as comunicações inadiáveis, cujo nome é auto-explicativo, servem para comunicar aniversários e coisas afins. O barulho é tão grande na plenária que a pessoa que discursa tem que gritar para tentar ser ouvida. E não há vereador que seja excessão a isso.

    Não estou dizendo que a postura de todos os vereadores em relação ao projeto em votação foi a mesma, de forma alguma, mas em relação ao funcionamento geral da Câmara, ninguém me pareceu incomodado. Sobre a votação, aconteceram mais alguns absurdos. Além do já citado prazo exíguo para votação de um projeto dessa importância, o presdente da casa queria votar o projeto sem que os vereadores de oposição soubessem o parecer sobre as emendas apresentadas. Isso sem falar nos tempos de debate inutilizados: “Está aberta a discussão…[1/2 seg]… Está encerrada o discussão”, pressa do presidente e morosidade dos membros da casa.

    Para premiar a tarde ainda foi possível ouvir vereadores pedindo que a sessão acabasse logo para que pudessem ir ao Barradão ver o jogo do Vitória. Nesse contexo é impossível não se sentir num circo. Nós eleitores fazemos o papel de quem vota fingindo acreditar em alguém e eles fingem, muito mal diga-se de passagem, que fazem algo pela cidade.

    É bom deixar claro que não fui à Câmara pensando que seria uma casa perfeita, onde as pessoas debatem, se entendem e se preocupam com o futuro da cidade. Essa ilusão eu já perdi faz um pouco mais de tempo, mas ainda assim consegui me surpreender (negativamente) com o lugar onde, pelo menos oficialmente, o futuro da nossa cidade é decidido.

  • Debates políticos e internet

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    Desde o início das discussões sobre as mudanças nas regras de campanha política, pouco se falou da falta de familiaridade dos políticos com as próprias interfaces da campanha online. Essa falta de conhecimento da dinâmica da internet ficou muito clara com a proposta de que os debates na internet deveriam seguir as regras estabelecidas para televisão e rádio. Mais do que argumentar que a internet não é uma concessão pública e deve se constituir como espaço de liberdade, é preciso pensar: é possível realizar um debate na internet com as regras da televisão?

    Convidar 2/3 dos candidatos, garantir tempos iguais e direitos de resposta, todas essas regras baseiam-se num modelo de comunicação mediada por corporações. Na televisão e rádio,, pelas emissoras, na internet, possivelmente, pelos grandes portais, mas quanto da internet representam os grandes portais hoje?

    Digo grandes portais porque acredito que apenas eles teriam estrutura e verba para ter um estúdio, convidar candidatos, contratar mediadores e transmitir tudo isso online em tempo real. É preciso perceber que existem espaços de internet hoje muito mais propícios ao debate onde não há mediadores. Tratam-se das redes sociais. Nelas não há como convidar as pessoas porque elas já estão lá, não é preciso garantir o direito de resposta porque ele é naturalmente assegurado.

    Se dois candidatos trocam tweets há um debate? E se discordam na resposta a um mesmo tópico de uma comunidade do Orkut? É necessário repensar e ampliar o próprio conceito de debate político para além do modelo da televisão e compreender as peculiaridades e potencialidades desses espaços antes que se queira agir sobre eles.