{"id":913,"date":"2016-02-16T19:21:56","date_gmt":"2016-02-16T22:21:56","guid":{"rendered":"http:\/\/ninasantos.com.br\/comfusos\/?p=913"},"modified":"2016-02-17T07:59:38","modified_gmt":"2016-02-17T10:59:38","slug":"um-passeio-gostosinho-por-montmartre-o-morro-que-encantou-de-picasso-a-dali","status":"publish","type":"post","link":"http:\/\/ninasantos.com.br\/comfusos\/2016\/02\/um-passeio-gostosinho-por-montmartre-o-morro-que-encantou-de-picasso-a-dali\/","title":{"rendered":"Um passeio gostosinho por Montmartre, o morro que encantou de Picasso a Dal\u00ed"},"content":{"rendered":"<p>Montmartre \u00e9 um belo bairro de Paris, n\u00e3o h\u00e1 quem possa negar. Instalada no alto de um dos poucos montes da cidade, a regi\u00e3o conserva um desenho urbano irregular, cheio de curvas, ladeiras, vielas estreitas \u2013 isso num cen\u00e1rio de ruas e casas de pedra, \u00e1rvores e trepadeiras enfeitando jardins e varandas. Num final de tarde invernal, raios amarelados se lan\u00e7am nas pedras velhas e cheias de hist\u00f3rias desse que hoje \u00e9 um dos pontos tur\u00edsticos mais <em>instagramados<\/em> da cidade.<\/p>\n<p><img loading=\"lazy\" class=\"alignnone wp-image-917 size-full\" src=\"http:\/\/ninasantos.com.br\/comfusos\/wp-content\/uploads\/2016\/02\/DSC_0040.jpg\" alt=\"DSC_0040\" width=\"2896\" height=\"1944\" srcset=\"http:\/\/ninasantos.com.br\/comfusos\/wp-content\/uploads\/2016\/02\/DSC_0040.jpg 2896w, http:\/\/ninasantos.com.br\/comfusos\/wp-content\/uploads\/2016\/02\/DSC_0040-768x516.jpg 768w\" sizes=\"(max-width: 2896px) 100vw, 2896px\" \/><\/p>\n<p><em>Fundos da Bas\u00edlica do Sacr\u00e9-Coeur, um dos pontos mais enturistados de Montmartre<\/em><\/p>\n<p>Essa beleza toda j\u00e1 foi muito mais original do que \u00e9 atualmente. Assediada pelo turismo que sua pr\u00f3pria fama atraiu, na Montmartre de hoje, os paus-de-selfie desafiam a hegemonia dos pintores e desenhistas, que h\u00e1 mais de um s\u00e9culo fazem parte dos tipos humanos que d\u00e3o a cara do lugar.<\/p>\n<p>Essa j\u00e1 foi uma parte bem pobre da cidade, irregularmente ocupada por trabalhadores que n\u00e3o tinham condi\u00e7\u00f5es de morar na regi\u00e3o central. O morro foi se adensando com barracos no final do s\u00e9culo XIX. Nesse per\u00edodo, Montmartre era considerada uma <em>bidonville<\/em>, nossa velha e conhecida favela. E como no Rio se passou com os morros, olhares sens\u00edveis perceberam alguma poesia e alguma beleza na mis\u00e9ria daquele lugar. Monmartre virou um lugar de artistas, poetas, escritores \u2013 dessa gente criativa e de h\u00e1bitos noturnos e bo\u00eamios. A lenda do bairro estava criada. Picasso, Van Gogh, Dal\u00ed e Renoir certamente trope\u00e7aram muito naquelas ruas de pedras.<\/p>\n<p>Com a fama, veio a gourmetiza\u00e7\u00e3o. J\u00e1 no in\u00edcio do s\u00e9culo XX, o bairro come\u00e7a a atrair os universais empreendimentos imobili\u00e1rios, e a gente pobre pioneira, que deu a cara praquele lugar foi sendo empurrada pra dar espa\u00e7o a casas e pr\u00e9dios higienizados. Da\u00ed pra virar a paix\u00e3o dos turistas, s\u00f3 faltava o empurr\u00e3ozinho da Am\u00e9lie Poulain!<\/p>\n<p><img loading=\"lazy\" class=\"alignnone wp-image-923 size-full\" src=\"http:\/\/ninasantos.com.br\/comfusos\/wp-content\/uploads\/2016\/02\/DSC_0099.jpg\" alt=\"DSC_0099\" width=\"2896\" height=\"1944\" srcset=\"http:\/\/ninasantos.com.br\/comfusos\/wp-content\/uploads\/2016\/02\/DSC_0099.jpg 2896w, http:\/\/ninasantos.com.br\/comfusos\/wp-content\/uploads\/2016\/02\/DSC_0099-768x516.jpg 768w\" sizes=\"(max-width: 2896px) 100vw, 2896px\" \/><\/p>\n<p><em>Na foto acima, vista da Place du Tertre<\/em><\/p>\n<p>Hoje, a muvuca de turistas se concentra na <em>Place du Tertre<\/em>, onde dezenas de artistas exp\u00f5em seu trabalho e oferecem gravuras feitas na hora, e na Bas\u00edlica do <em>Sacr\u00e9-Coeur<\/em>, que tem qualquer coisa de bela e estranha, de deselegante, mas charmosa. A enorme Bas\u00edlica foi constru\u00edda entre 1875 e 1914, proposta pelos cat\u00f3licos como uma forma de redimir a mem\u00f3ria da cidade do final sangrento da <span style=\"text-decoration: underline;\"><span style=\"color: #003366;\"><a style=\"color: #003366; text-decoration: underline;\" href=\"http:\/\/www.larousse.fr\/encyclopedie\/divers\/la_Commune\/114248\" target=\"_blank\">Comuna de Paris<\/a><\/span><\/span>, per\u00edodo de pouco mais de 2 meses em que a capital foi gerida por insurgentes. A retomada da cidade pela oficialidade se deu em uma semana, com uma invas\u00e3o arrebatadora, que deixou 30 mil mortos pelas ruas parisienses.<\/p>\n<p><img loading=\"lazy\" class=\"alignnone wp-image-922 size-full\" src=\"http:\/\/ninasantos.com.br\/comfusos\/wp-content\/uploads\/2016\/02\/DSC_0086.jpg\" alt=\"DSC_0086\" width=\"2896\" height=\"1944\" srcset=\"http:\/\/ninasantos.com.br\/comfusos\/wp-content\/uploads\/2016\/02\/DSC_0086.jpg 2896w, http:\/\/ninasantos.com.br\/comfusos\/wp-content\/uploads\/2016\/02\/DSC_0086-768x516.jpg 768w\" sizes=\"(max-width: 2896px) 100vw, 2896px\" \/><\/p>\n<p><em>Parede coberta de interven\u00e7\u00f5es de arte urbana, na Place du Calvaire<\/em><\/p>\n<p>Desse pedacinho, que apesar do fuzu\u00ea, n\u00e3o d\u00e1 pra desviar, destacaria 2 cantos interessantes. Primeiro, a <em>Place du Calvaire<\/em>, onde est\u00e1 o <span style=\"text-decoration: underline;\"><span style=\"color: #003366;\"><a style=\"color: #003366; text-decoration: underline;\" href=\"http:\/\/daliparis.com\/fr\/\" target=\"_blank\">Espace Dal\u00ed<\/a><\/span><\/span>, com obras desse famosos surrealista. Ali, a vista do alto de Paris \u00e9 bel\u00edssima, emoldurada pelos telhadinhos das casas de Montmartre. As paredes de pedra s\u00e3o cobertas de arte urbana, numa colorida sobreposi\u00e7\u00e3o do moderno sobre o antigo. Quem quiser parar pra curtir um pouco <em>la buena onda<\/em>, esse \u00e9 um canto mais sossegado, apesar de estar ao lado da badalada <em>Place du Tertre<\/em>. O outro destaque \u00e9 a <em>\u00c9glise Saint<\/em>&#8211;<em>Pierre de Montmartre<\/em>, uma das igrejas mais antigas de Paris (o pr\u00e9dio que vemos hoje \u00e9 de 1174, j\u00e1 uma reconstru\u00e7\u00e3o \u2013 a igreja original \u00e9 do s\u00e9culo V, que por sua vez substituiu um templo dedicado a Marte, que data da ocupa\u00e7\u00e3o romana). A igreja \u00e9 uma das duas que mant\u00e9m um cemit\u00e9rio paroquial \u2013 todos os outros foram eliminados por raz\u00f5es de salubridade no final do s\u00e9culo XVIII, in\u00edcio do XIX (os ossos retirados desses cemit\u00e9rios foram depositados nas Catacumbas de Paris, que hoje \u00e9 ponto tur\u00edstico pra quem tem est\u00f4mago forte!).<\/p>\n<p>Se voc\u00ea \u00e9 como n\u00f3s e gosta de fugir do burburinho, o que \u00e9 gostoso mesmo \u00e9 exercitar as panturrilhas rodando pelo bairro. N\u00f3s usamos como base um roteiro sugerido pelo blog <span style=\"text-decoration: underline;\"><span style=\"color: #003366;\"><em><a style=\"color: #003366; text-decoration: underline;\" href=\"http:\/\/www.unjourdeplusaparis.com\/paris-balades\/promenade-montmartre\" target=\"_blank\">Un jour de plus \u00e0 Paris<\/a><\/em><\/span><\/span>, mas fizemos algumas adapta\u00e7\u00f5es. O roteiro come\u00e7a no metr\u00f4 Anvers, linha 2. Dali, voc\u00ea \u00e9 guiado pela vista da <em>Sacr\u00e9-Coeur<\/em>, at\u00e9 a <em>Place Saint-Pierre<\/em>, de onde sa\u00edmos pela direita, chegando no <em>Halle Saint Pierre<\/em>, antigo mercado, todo constru\u00eddo em ferro, que hoje abriga uma simp\u00e1tica livraria de arte moderna, uma casa de ch\u00e1, e recebe exposi\u00e7\u00f5es tempor\u00e1rias.<\/p>\n<p><img loading=\"lazy\" class=\"alignnone wp-image-915 size-full\" src=\"http:\/\/ninasantos.com.br\/comfusos\/wp-content\/uploads\/2016\/02\/DSC_0011.jpg\" alt=\"DSC_0011\" width=\"2896\" height=\"1944\" srcset=\"http:\/\/ninasantos.com.br\/comfusos\/wp-content\/uploads\/2016\/02\/DSC_0011.jpg 2896w, http:\/\/ninasantos.com.br\/comfusos\/wp-content\/uploads\/2016\/02\/DSC_0011-768x516.jpg 768w\" sizes=\"(max-width: 2896px) 100vw, 2896px\" \/><\/p>\n<p><em>Fachada do Halle Saint-Pierre<\/em><\/p>\n<p>Seguimos pela rua Ronsard, at\u00e9 chegar numa escadaria, que d\u00e1 acesso \u00e0 rua Paul Albert, e nela caminhamos at\u00e9 o final, quando viramos \u00e0 esquerda e pegamos uma nova escadaria, que d\u00e1 nos fundos da <em>Sacr\u00e9-Coeur<\/em>. Contornamos o fundo da Bas\u00edlia, e pegamos a rua do Chevalier de la Barre e depois dela, \u00e0 direita, a rue du Mont Cenis. Nessa rua vale a pena reparar na gigante caixa-d\u2019\u00e1gua, que comp\u00f5e uma boa foto, junto com uma das torres da Bas\u00edlica. No fim da rua, que d\u00e1 pra mais uma escadaria, a vista para a periferia parisiense vale uma <em>selfie<\/em>.<\/p>\n<p><img loading=\"lazy\" class=\"alignnone wp-image-916 size-full\" src=\"http:\/\/ninasantos.com.br\/comfusos\/wp-content\/uploads\/2016\/02\/DSC_0021.jpg\" alt=\"DSC_0021\" width=\"2896\" height=\"1944\" srcset=\"http:\/\/ninasantos.com.br\/comfusos\/wp-content\/uploads\/2016\/02\/DSC_0021.jpg 2896w, http:\/\/ninasantos.com.br\/comfusos\/wp-content\/uploads\/2016\/02\/DSC_0021-768x516.jpg 768w\" sizes=\"(max-width: 2896px) 100vw, 2896px\" \/><\/p>\n<p><em>Caf\u00e9 na Rue Paul Albert<\/em><\/p>\n<p>Pegamos a\u00ed a rua Cortot, onde est\u00e1 o <span style=\"text-decoration: underline;\"><span style=\"color: #003366;\"><a style=\"color: #003366; text-decoration: underline;\" href=\"http:\/\/www.museedemontmartre.fr\/\" target=\"_blank\">Museu de Montmartre<\/a><\/span><\/span> (entrada a 9 euros), que d\u00e1 acesso aos Jardins de Renoir e \u00e0s vinhas de Montmartre (a \u00fanica por\u00e7\u00e3o de terra vin\u00edcola remanescente por ali). Chegando \u00e0 <em>Maison Rose<\/em>, imortalizada nas telas do pintor nativo <span style=\"text-decoration: underline;\"><span style=\"color: #003366;\"><a style=\"color: #003366; text-decoration: underline;\" href=\"http:\/\/www.musee-orangerie.fr\/fr\/artiste\/maurice-utrillo\" target=\"_blank\">Maurice Utrillo<\/a><\/span><\/span> (1883-1895), que assina dezenas de telas que hoje comp\u00f5em o acervo do <em>Mus\u00e9e de l\u2019Orangerie<\/em>, pegue \u00e0 direita na rua des Saules, at\u00e9 a Rue Saint-Vincent. Dessa esquina, d\u00e1 pra ter uma vista completa das vinhas (Clos Montmartre). Ali tamb\u00e9m fica o antigo cabar\u00e9 <em>Au<\/em>\u00a0<em>Lapin Agile<\/em>, testemunho de que o bairro j\u00e1 foi uma importante zona de prostitui\u00e7\u00e3o (ali\u00e1s, do ladinho de Montmartre, na Avenida Pigalle, est\u00e1 o c\u00e9lebre <em>Moulin Rouge<\/em>, que hoje cobra a partir de 120 Euros por uma refei\u00e7\u00e3o acompanhada de um espet\u00e1culo musical). Volte pra esquina da Casa Rosa, e pegue a Rua de l\u2019Abreuvoir, que vai dar na <em>Place Dalida<\/em>, homenagem \u00e0 Madona francesa (<span style=\"text-decoration: underline;\"><span style=\"color: #003366;\"><em><a style=\"color: #003366; text-decoration: underline;\" href=\"https:\/\/www.youtube.com\/watch?v=MFOe5sGnQK0\" target=\"_blank\">l<\/a><\/em><\/span><em><span style=\"color: #003366;\"><a style=\"color: #003366; text-decoration: underline;\" href=\"https:\/\/www.youtube.com\/watch?v=MFOe5sGnQK0\" target=\"_blank\">aissez moi danceeeerrr!!!<\/a><\/span><\/em><\/span>).<\/p>\n<p><img loading=\"lazy\" class=\"alignnone wp-image-924 size-full\" src=\"http:\/\/ninasantos.com.br\/comfusos\/wp-content\/uploads\/2016\/02\/DSC_0107.jpg\" alt=\"DSC_0107\" width=\"2896\" height=\"1944\" srcset=\"http:\/\/ninasantos.com.br\/comfusos\/wp-content\/uploads\/2016\/02\/DSC_0107.jpg 2896w, http:\/\/ninasantos.com.br\/comfusos\/wp-content\/uploads\/2016\/02\/DSC_0107-768x516.jpg 768w\" sizes=\"(max-width: 2896px) 100vw, 2896px\" \/><\/p>\n<p><em>Moinho que d\u00e1 nome ao restaurante Le Moulin de la Galette<\/em><\/p>\n<p>Dali, suba pela rua Girardon, que passa pela <em>Place Marcel Aym\u00e9<\/em>, onde est\u00e1 instalada uma obra do artista <em>Jean Marais<\/em>, com refer\u00eancia \u00e0 obra <em>Le Passe-muraille<\/em> \u2013 daquele camarada que ficou preso numa parede, sabe? Na esquina da Girardon com a rua Lepic, resiste o \u00faltimo moinho original do bairro, ocupado hoje por um belo restaurante.<\/p>\n<p><img loading=\"lazy\" class=\"alignnone wp-image-920 size-full\" src=\"http:\/\/ninasantos.com.br\/comfusos\/wp-content\/uploads\/2016\/02\/DSC_0075.jpg\" alt=\"DSC_0075\" width=\"2896\" height=\"1944\" srcset=\"http:\/\/ninasantos.com.br\/comfusos\/wp-content\/uploads\/2016\/02\/DSC_0075.jpg 2896w, http:\/\/ninasantos.com.br\/comfusos\/wp-content\/uploads\/2016\/02\/DSC_0075-768x516.jpg 768w\" sizes=\"(max-width: 2896px) 100vw, 2896px\" \/><\/p>\n<p><em>Le passe-muraille, na Place Marcel Aym\u00e9<\/em><\/p>\n<p>A esse ponto, suas pernas j\u00e1 estar\u00e3o bem torneadas e doloridas. Hora de parar para um caf\u00e9. Em qualquer um que voc\u00ea escolher, certamente haver\u00e1 uma hist\u00f3ria de que algum desses pintores famosos era <em>habitu\u00e9<\/em> do estabelecimento. Pros rom\u00e2nticos modernos, o caf\u00e9 onde a Am\u00e9lie Poulin trabalhava no filme fica a 5 minutos dali, na rua Lepic (Caf\u00e9 <em>Deux Moulins<\/em>), mas v\u00e1 sabendo que,\u00a0sem\u00a0a maquiagem cinematogr\u00e1fica, o estabelecimento n\u00e3o \u00e9 muito diferente dos outros, com aquele jeitinho sujo e desajeitado dos caf\u00e9s parisienses.<\/p>\n<p>Bom dali, voc\u00ea se vira. A gente cansou e seguiu pela Avenida Junot, at\u00e9 chegar no ponto de \u00f4nibus que a gente queria, mas se ainda tiver pique, deixa o esp\u00edrito dos b\u00eabados que j\u00e1 passaram por ali te levar \u2013 s\u00f3 cuidado para n\u00e3o trope\u00e7ar!<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Montmartre \u00e9 um belo bairro de Paris, n\u00e3o h\u00e1 quem possa negar. 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